ChatGPT Pode Errar

ChatGPT Pode Errar? Por Que a IA Inventa Respostas e Como Checar

Inteligência Artificial

Atualizado em 27/09/2026 às 15:48

Você pergunta ao ChatGPT sobre um artigo de lei, um dado de mercado ou o motivo de um erro no computador. A resposta chega organizada, em tom seguro, sem uma única hesitação. E pode carregar um detalhe que simplesmente não existe: uma decisão judicial nunca proferida, uma data trocada, um link que leva a lugar nenhum.

Então, o ChatGPT pode errar? Pode. A central de ajuda da OpenAI reconhece que o modelo às vezes soa confiante mesmo quando a resposta está incorreta e chama esse fenômeno de alucinação. Em pesquisa de 2025, autores da OpenAI tratam a alucinação como uma falsidade plausível: um texto que parece razoável e está errado.

No Brasil, esse risco já é cotidiano. Segundo a TIC Domicílios 2025, divulgada em dezembro de 2025, 32% dos usuários de internet no país usam IA generativa, cerca de 50 milhões de pessoas. Entre os estudantes do Ensino Médio que usam a internet, sete em cada dez recorrem a ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini em pesquisas escolares, mas apenas 32% dizem ter recebido orientação da escola sobre como usá-las (TIC Educação).

Este texto não se baseia em testes próprios nem promete fórmula mágica. Ele reúne fontes que você pode abrir e conferir: a pesquisa da OpenAI sobre por que os modelos alucinam, decisões de tribunais brasileiros, documentação oficial e pesquisas de instituições reconhecidas. Ao final, você terá uma explicação clara das causas, um método de verificação em seis passos e um critério para decidir quando o ChatGPT não deve ser a sua fonte.

esposta do ChatGPT com citação inexistente destacada por lupa
Resposta do ChatGPT com citação inexistente destacada por lupa

Sumário

O que é alucinação de IA (e o que não é)

O termo virou sinônimo de qualquer erro de chatbot, mas nem todo erro é alucinação. Separar os tipos ajuda a escolher a reação certa.

Uma falsidade que parece verdade

No estudo Why Language Models Hallucinate, os autores tratam a alucinação como resposta plausível e falsa, e observam que os modelos atuais raramente geram textos sem sentido. É isso que torna o problema traiçoeiro. Uma frase sem sentido você descarta na hora. Uma frase bem construída que afirma algo falso passa despercebida.

A OpenAI dá um exemplo simples no artigo que resume a pesquisa: ao pedir a um chatbot muito usado o título da tese de doutorado de um dos autores, os pesquisadores receberam três títulos diferentes, todos errados; ao pedir a data de aniversário, vieram três datas, também erradas. Em ambos os casos, a resposta veio com aparente confiança.

Três problemas que costumam ser confundidos

  • Alucinação: o modelo inventa um fato, uma fonte ou uma citação que não existe.
  • Desatualização: a informação era verdadeira quando o modelo foi treinado e mudou depois. A OpenAI explica que os modelos têm uma data de corte e não incorporam eventos posteriores, a menos que ferramentas de busca sejam usadas.
  • Erro de interpretação: o assistente entendeu algo diferente do que você perguntou. Aqui, reformular o pedido costuma resolver.

A distinção muda a solução. Para desatualização, ativar a busca ajuda. Para interpretação, basta reformular. Para alucinação, o que realmente protege você é conferir a informação na fonte.

Casos reais: quando uma resposta inventada chega a um tribunal ou a um balcão

Os episódios mais bem documentados de alucinação envolvem processos judiciais, ambiente em que cada citação pode ser verificada por outra pessoa. Eles mostram o que acontece quando ninguém confere.

Mata v. Avianca: seis decisões que nunca existiram

Em 2023, advogados de um passageiro que processava a companhia aérea Avianca, em Nova York, apresentaram uma petição com seis decisões judiciais completamente inventadas, geradas pelo ChatGPT (resumo do caso). Na audiência, o advogado que fez a pesquisa disse que partiu da suposição, errada, de que a ferramenta não seria capaz de produzir casos totalmente fabricados (a decisão está disponível na íntegra). O juiz extinguiu a ação e aplicou multa de US$ 5.000 aos advogados (resumo na Wikipédia). Mata v. Avianca, Inc. | Legal AI Governance +2

A lição não é que usar IA seja proibido. É que quem assina a peça responde pelo conteúdo.

O chatbot da Air Canada e a política de reembolso que não existia

O segundo caso não envolve o ChatGPT, e sim um chatbot de atendimento com IA. Ele mostra o risco para o consumidor. Em novembro de 2022, um passageiro perguntou sobre tarifas de luto e o chatbot sugeriu que ele comprasse a passagem normal e pedisse reembolso parcial depois, em até 90 dias. Só mais tarde ele soube, por funcionários da empresa, que a Air Canada não permitia pedidos retroativos. Manatt, Phelps & Phillips, LLPAmazon S3

Em fevereiro de 2024, o tribunal da Colúmbia Britânica considerou a empresa responsável pela informação errada e rejeitou o argumento de que o chatbot seria uma entidade separada. O reembolso fixado foi de 650,88 dólares canadenses (veja os resumos do escritório Manatt e da American Bar Association). O passageiro precisou levar a disputa a um tribunal para receber a diferença. American Bar AssociationManatt, Phelps & Phillips, LLP

No Brasil, tribunais já aplicam multa

Decisões brasileiras recentes seguem uma linha parecida: usar IA não é o problema, apresentar precedente inexistente é.

  • TJSC: a 6ª Câmara Civil aplicou multa de 10% sobre o valor atualizado da causa por jurisprudências e doutrinas inexistentes em um recurso e comunicou a OAB/SC (TJSC). TJSC
  • TJPR: a 9ª Câmara Cível multou um advogado porque o precedente do STJ citado não foi localizado no repositório oficial, e enviou o caso à OAB/PR. A multa foi de 2% sobre o valor atualizado da causa (TJPR; Migalhas). TJPRMigalhas
  • TRT-MG: a Nona Turma confirmou multa de R$ 1.200 depois que a defesa citou uma súmula do TST inexistente, com indícios de criação por IA, e destacou que o uso de IA não isenta o advogado de responsabilidade (TRT-MG). TRT-MG
  • TRT-2 (São Paulo): a 6ª Turma aplicou multa de 5% sobre o valor da causa e entendeu que o advogado deve supervisionar a equipe e conferir o que apresenta, sem atribuir erros graves a estagiários ou a ferramentas (Conjur). Conjur
  • Justiça Federal em Londrina (PR): a 2ª Vara Federal multou um advogado em 20 salários-mínimos por artigos de lei inexistentes e jurisprudência inverídica gerados por IA.

Fora do país, o pesquisador Damien Charlotin mantém um banco de dados público de decisões judiciais que tratam de conteúdo alucinado. Na consulta feita em 24 de setembro de 2026, ele registrava 2.046 casos identificados, incluindo alguns em que o uso de IA foi apenas alegado. O número cresce todos os dias.

Atenção: número de processo, súmula ou artigo de lei que aparece numa resposta de IA deve ser tratado como pista de pesquisa, nunca como prova. Confirme no site do tribunal ou no texto oficial da lei antes de citar.

linha do tempo casos de alucinação de IA em tribunais Brasil e exterior
linha do tempo casos de alucinação de IA em tribunais Brasil e exterior

Por que o ChatGPT inventa em vez de admitir que não sabe

Não existe uma causa única, e os pesquisadores ainda discutem o peso de cada fator. Quatro explicações aparecem com mais frequência nas fontes consultadas.

Ele gera texto plausível a partir de padrões, não consulta um arquivo de fatos

Segundo a OpenAI, o ChatGPT foi projetado para dar respostas úteis com base em padrões dos dados de treinamento, e, sem busca ativada, as respostas vêm do que o modelo aprendeu. Na prática, o texto continua saindo fluente mesmo quando não há base sólida para o detalhe pedido.

As avaliações premiam quem chuta

A explicação que mais ganhou atenção em 2025 vem da própria OpenAI. Os pesquisadores comparam o modelo a um estudante numa prova de múltipla escolha: quem não sabe e chuta pode acertar por sorte, enquanto deixar em branco garante zero. Se os modelos são avaliados só pela taxa de acertos, são incentivados a chutar em vez de admitir incerteza.

O mesmo texto faz duas ressalvas. A precisão nunca chegará a 100%, porque algumas perguntas do mundo real não têm resposta possível, mas alucinar não é inevitável, já que o modelo pode se abster quando está incerto. A explicação não é unânime. Em um artigo ainda em formato de preprint, outros pesquisadores contestam essa leitura e apontam também a arquitetura dos modelos.

Dados pontuais são o terreno mais escorregadio

O exemplo escolhido pelos autores foi a data de nascimento de uma pessoa, um dado pontual que não se deduz por raciocínio. Sem acesso a uma fonte, qualquer resposta a esse tipo de pergunta vira palpite. A mesma lógica tende a valer para número de processo, página de um livro, valor exato de uma tarifa ou nome completo de um estudo.

Sem busca, o modelo não vê o que aconteceu depois do treinamento

Com busca ou pesquisa aprofundada ativadas, o ChatGPT pode acessar e citar fontes da web em tempo real; sem elas, responde com base no que aprendeu no treinamento. Para saber se a busca está ligada, observe os ícones de busca na barra de digitação e se a resposta traz fontes da web citadas. Nomes e posições dos botões mudam com o tempo, então confira na sua conta.

Mesmo com o texto na mão, o modelo pode acrescentar o que não está lá

A Vectara mantém um placar público que mede com que frequência modelos de linguagem introduzem alucinações ao resumir um documento. Em setembro de 2024, a empresa afirmou que os modelos alucinavam de 1% a quase 30% das vezes mesmo gerando respostas a partir de fontes de referência (Vectara). Em novembro de 2025, lançou uma nova versão do placar, com mais de 7.700 artigos e critérios mais duros, em que as taxas de alucinação ficaram, em geral, mais altas (Vectara). GitHub – vectara/hallucination-leaderboard: Leaderboard Comparing LLM Performance at Producing Hallucinations when Summarizing Short Documents ·

Os percentuais mudam a cada modelo e versão. Por isso este texto não fixa números por ferramenta: consulte o placar atualizado.

diagrama como o ChatGPT gera respostas e por que pode alucinar
diagrama como o ChatGPT gera respostas e por que pode alucinar

Os cinco tipos de erro mais comuns e como conferir cada um

A tabela abaixo é uma síntese própria dos casos e das fontes citados neste texto. Ela organiza o que a documentação mostra e não representa um teste realizado por nós.

Tipo de erroExemplo documentadoComo conferir
Citação ou precedente inexistenteSeis decisões inventadas em Mata v. Avianca; precedente do STJ não localizado no caso do TJPRBuscar no site oficial do tribunal pelo número, relator e data
Dado pontual sobre uma pessoaTítulo de tese e data de nascimento errados no exemplo da OpenAIPágina institucional da pessoa ou registro oficial
Regra ou política de empresaReembolso retroativo que não existia (Air Canada)Página oficial de políticas; guardar print da resposta
Informação desatualizadaEventos posteriores ao treinamento não entram sem buscaLigar a busca e abrir as fontes
Resumo com acréscimosA Vectara mede quando o resumo inclui algo que o texto original não dizComparar trecho a trecho com o original

Como reduzir o risco: práticas que ajudam, sem prometer erro zero

Nenhuma prática elimina a alucinação. Elas diminuem a chance de o erro passar e facilitam a descoberta quando ele acontece.

Use a resposta como rascunho, não como fonte

A OpenAI orienta tratar o ChatGPT como primeiro rascunho, não como fonte final, e verificar sempre citações, dados, informações técnicas e referências a documentos externos.

Ligue a busca e abra os links

Quando a precisão importa, a OpenAI recomenda usar busca ou pesquisa aprofundada e checar as fontes visitando os links diretamente. Um link listado só vale depois que você abre a página e confirma que ela realmente diz o que o assistente afirmou.

Entregue o texto-base e peça respostas ancoradas nele

A documentação da Anthropic sugere, para documentos longos, pedir primeiro trechos literais antes da análise, e pedir que cada afirmação venha com citação, para que a resposta possa ser auditada. Isso reduz o espaço para invenção, mas, como mostra a Vectara, não o elimina. Confira os trechos no original.

Dê permissão para dizer “não sei”

A mesma documentação afirma que permitir explicitamente ao assistente admitir incerteza pode reduzir bastante a informação falsa. A lógica combina com a pesquisa da OpenAI sobre o incentivo ao palpite. Não há garantia de resultado em todas as ferramentas, então trate como reforço, não como solução.

Dica Prática: ao pedir dados, acrescente: “Se não tiver certeza ou não encontrar fonte confiável, diga que não sabe. Separe o que é fato com fonte do que é estimativa e liste os links.”

Ajuste o nível de conferência ao custo do erro

Um roteiro de viagem ou uma ideia de nome para o projeto toleram um erro ocasional. Uma petição, uma dose de remédio ou uma declaração de imposto, não. Quanto maior o dano possível, mais perto da fonte original deve ficar a checagem.

Passo a passo: como verificar uma resposta do ChatGPT em seis etapas

  1. Marque o que pode ser verificado. Destaque nomes, números, datas, leis, decisões e links. São os pontos em que um erro causa mais estrago e que podem ser confirmados fora do chat.
  2. Peça a fonte de cada ponto, com o endereço da página. Com a busca ligada, o assistente pode citar fontes da web. Sem fonte, você não tem como conferir.
  3. Abra cada link e leia o trecho. A fonte precisa existir e sustentar a afirmação. As decisões inventadas em Mata v. Avianca traziam nomes de partes, volumes e páginas que pareciam legítimos .
  4. Prefira fontes primárias. Site do tribunal, Diário Oficial, órgão público, documentação do fabricante, estudo original. Se o assistente citou uma decisão do STJ, procure no repositório do próprio STJ, como o TJPR fez no caso citado acima.
  5. Cruze com uma segunda fonte independente quando o dado for usado em decisão, trabalho ou publicação.
  6. Anote a data da consulta e refaça a checagem se a informação puder mudar. Leis, preços, políticas de empresas e regras de programas mudam, e os modelos têm data de corte.

Um teste de 10 minutos para fazer você mesmo

Nada substitui ver o comportamento com os próprios olhos. Faça as três perguntas abaixo no assistente que você usa e confira cada resposta em fontes oficiais:

  1. Dado pontual: pergunte a data de nascimento de uma pessoa pouco conhecida, como um professor da sua cidade, e compare com a página institucional dela.
  2. Referências: peça três referências bibliográficas sobre um tema específico e tente abrir cada uma.
  3. Premissa falsa: pergunte sobre uma lei ou regra que continua em vigor como se tivesse sido revogada, e observe se o assistente corrige você ou segue a premissa.
checklist seis passos verificar resposta do ChatGPT
checklist seis passos verificar resposta do ChatGPT

Erros comuns ao usar o ChatGPT como fonte de informação

  • Confundir tom seguro com resposta correta. A própria OpenAI admite que o modelo pode soar confiante mesmo quando está errado.
  • Confiar em link ou referência sem abrir. Uma citação com aparência de real pode não existir.
  • Pedir ao ChatGPT que “confirme” a própria resposta e aceitar o “sim”. Pedir uma revisão pode levantar dúvidas úteis, mas não substitui uma fonte externa.
  • Ignorar a data. Perguntar sobre lei, preço ou regra atual sem busca ligada expõe você a informação desatualizada.
  • Delegar a responsabilidade. Os tribunais brasileiros citados acima não aceitaram a tese de que o erro era da ferramenta ou de estagiários.
  • Tomar decisão de saúde, dinheiro ou direito só com a resposta do assistente.

Melhor Prática: guarde a resposta do assistente e a fonte que você conferiu lado a lado. Se alguém questionar, você mostra de onde veio o dado, e não apenas que “a IA disse”.

Quando o ChatGPT não deve ser a sua fonte principal

Em algumas situações, a resposta do assistente serve, no máximo, como ponto de partida. A tabela resume o que sugerem os casos e as orientações citadas neste texto.

SituaçãoPor que exige cautelaCaminho mais seguro
Petições, pareceres e trabalhos jurídicosMultas e ofícios à OAB em decisões do TJSC, TJPR, TRT-MG e outrosConsultar repositórios oficiais dos tribunais e o texto da lei; usar a IA só para organizar o texto
Sintomas, doses e interações de remédiosUma resposta plausível não equivale a avaliação clínicaMédico ou farmacêutico e a bula oficial
Impostos, investimentos e contratosRegras mudam e dependem da situação de cada pessoaReceita Federal, Banco Central, contador ou profissional certificado
Notícias e fatos recentesSem busca, o modelo responde só com o que aprendeu no treinamentoBusca ligada e leitura das fontes originais
Trabalhos escolares e acadêmicosReferências podem não existirBases de periódicos e bibliotecas; abrir cada referência

Isso não significa abandonar a ferramenta. Resumir seus próprios textos, propor estruturas, explicar conceitos e gerar rascunhos são usos em que o erro custa pouco e é fácil de perceber, desde que você revise.

Perguntas frequentes sobre o ChatGPT e as alucinações da IA

O ChatGPT mente ou só erra?

O termo técnico é alucinação: gerar respostas que não são factualmente corretas, muitas vezes com tom confiante. Os pesquisadores da OpenAI descrevem o problema como consequência do modo como os modelos são treinados e avaliados, e não como intenção de enganar. Para você, a diferença prática é pequena: o resultado é uma informação falsa que parece confiável e precisa ser conferida.

ChatGPT com busca na internet ainda inventa coisas?

Pode. A busca permite acessar e citar fontes atuais, o que ajuda com informação recente. Mas o modelo ainda redige a resposta, e o placar da Vectara mede justamente quando um resumo feito a partir de um documento introduz informações que não estão nele. Abra os links e confirme o trecho antes de usar.

Como saber se uma decisão ou referência citada pelo ChatGPT existe?

Procure no site oficial de quem a publicou. No caso julgado pelo TJPR, o precedente do STJ apresentado não foi localizado no repositório oficial do tribunal. Se você não encontra a decisão pelo número, pelo relator e pela data nos canais oficiais, não a use. Peça ao autor da citação o documento original.

Posso usar o ChatGPT em trabalhos da escola ou da faculdade?

Depende das regras da instituição, que variam. Os dados do Cetic.br mostram que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio que usam a internet já recorrem à IA generativa em pesquisas escolares, mas só 32% dizem ter recebido orientação da escola. Se for usar, trate a resposta como ponto de partida, abra cada referência e cite as fontes originais, não o assistente.

O ChatGPT vai parar de alucinar algum dia?

Ninguém pode prometer isso. A OpenAI afirma que a precisão nunca chegará a 100%, mas que alucinar não é inevitável, já que o modelo pode se abster quando não sabe. Há pesquisadores que discordam dessa explicação e apontam a arquitetura dos modelos. Enquanto o debate segue, o método mais seguro é conferir.

Advogado pode ser punido por usar IA na petição?

Nos casos citados neste artigo, o foco das decisões foi a apresentação de conteúdo inexistente, não o uso de IA em si. Tribunais aplicaram multa por litigância de má-fé e comunicaram a OAB (TJSC, TJPR), e o TRT-MG destacou que a IA não isenta o advogado de responsabilidade. Cada situação depende do tribunal e das circunstâncias. Para um caso concreto, consulte um advogado.

Existe algum assistente de IA que não alucina?

Nenhum que se possa apontar com segurança. Até a documentação da Anthropic sobre o Claude reconhece que modelos avançados podem, às vezes, gerar texto factualmente incorreto, e o placar da Vectara compara a frequência de alucinações entre diferentes modelos. Em vez de procurar a ferramenta perfeita, adote o mesmo método de verificação em qualquer uma.

Aviso Importante: este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem a orientação de advogado, médico, contador ou outro profissional habilitado. Para decisões específicas sobre questões jurídicas, de saúde ou financeiras, consulte um profissional qualificado. Leis, políticas e recursos das ferramentas mudam; confira sempre a versão vigente nas fontes oficiais.

Conclusão: use o ChatGPT, mas não terceirize a checagem

O ChatGPT pode errar, e a própria OpenAI diz isso. As alucinações da IA nascem da forma como os modelos geram texto, de como são avaliados e do que sabem, ou não sabem, sobre o assunto perguntado. Isso torna o erro previsível na estrutura, mas imprevisível no caso concreto.

Os episódios de Nova York, da Air Canada e dos tribunais brasileiros deixam a mesma lição: a responsabilidade pelo conteúdo é de quem o usa. O caminho seguro é curto. Trate a resposta como rascunho, peça a fonte, abra o link, prefira fontes primárias e ajuste o rigor ao risco. Nada disso zera o erro, mas reduz bastante a chance de ele chegar a uma petição, a um trabalho ou a uma decisão sua.

Se este texto foi útil, salve-o para consultar na próxima vez que precisar de um dado confiável. E conte nos comentários como você confere as respostas de IA no seu dia a dia. Sua experiência pode ajudar outros leitores.

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